setembro 20, 2004

Delícias deste fim de semana

Verificar que afinal ainda sei adormecer um bebé de vinte dias.
Ser aconchegada pelo perfume do roseiral do jardim de Serralves. [e lembrar-me da Jacky]
Beber um chá earl grey como antigamente.
Comer os melhores rissois de peixe de sempre, feitos pela minha mãe.
Reparar numa senhora a fazer um xaile em croché na esplanada do molhe. [e lembrar-me da Rosa]
Ver uma boa parte da família envolvida nas vindimas.
Espalhar fenistil pelas centenas de picadelas de mosquito que polvilham o corpo do meu vindimador.

Posted by Encantada at 03:50 PM | Comentários: (10)

setembro 19, 2004

Nos pés do pai

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Posted by Encantada at 11:35 PM | Comentários: (4)

setembro 13, 2004

Tenho saudades...

... de dançar. Como daquela vez no Swing, quando, depois de toda a gente ter ido embora, largaste o último copo, te afastaste do balcão, e confirmaste as minhas suspeitas - não é possivel que um homem da Covilhã não saiba dançar!

Já sabes, quando esta quarentena terminar, estás convocado para uns passinhos (ou melhor, pulinhos, saltinhos, pulos, saltos, ...) de dança.

Posted by Encantada at 12:06 PM | Comentários: (3)

Socorro, estou a ficar enjoada!

* ou o Nhek ou o Reck (conforme o que dá mais jeito)

Posted by Encantada at 11:56 AM | Comentários: (4)

setembro 10, 2004

Tomar de manhã, ao chegar a casa e ao deitar

- Mamã, o Shek* e o burro. Shim, shim? Anda...

(E lá vai a mãe para a internet mostrar o site do Shrek, as apresentações do filme, a banda sonora...)
- Mais, mais, outa vez.

Posted by Encantada at 11:31 AM | Comentários: (8)

setembro 07, 2004

O que chamar a isto? - Não faço ideia!

Não há nada pior do que associar uma avó e uma mãe com muito jeito para a persuasão com uma neta/filha que detesta ferir os sentimentos dos outros.
De vez em quando, a minha avó resolvia comprar-me uns sapatos “muito bonitos” na feira (que sorte esta de neta preferida!), e, claro, trazia sempre uns sapatos (uma vez foram dois pares!) apertadíssimos. Não sei que raio de mania era aquela de trazer os sapatos sempre um número abaixo. Depois vinham as pressões de que “não te preocupes, com o uso alargam” e aqui a burra fingia que acreditava e ia para a escola a cambalear, com os pés cheios de pensos, para tentar minorar o sofrimento. Claro que os sapatos, que ainda por cima eram de plástico, não alargavam, mas, para compensar, os meus pés doíam bem e foram ficando todos deformados até ficarem chegarem à sua condição, muito presente, de horríveis.
Outra vez, como achavam que o meu cabelo era muito oleoso, resolveram que a solução era fazer uma permanente. E a minha avó ofereceu-se logo para me levar à cabeleireira lá do bairro. Foi das experiências mais traumatizantes da minha vida. A cabeleireira fez-me (tinha eu catorze anos!) um penteado tipo velhota dos anos 50 – cabelo curto com permanente. Mal me vi ao espelho, apeteceu-me chorar, e quando a cabeleireira, ou lá o que era, perguntou se eu gostava, disse logo que não. Isto, em mim, naquela altura, era um acto de extrema rebeldia. Mas, a minha avó disse que estava muito bonita, que parecia uma pretinha loira, e a suposta cabeleireira assegurou que com uma lavagem ou duas a permanente ficaria mais suave. Nem mil lavagens, nem as horas que passei de escova na mão a tentar esticar aquela coisa, nada resultava.
A minha mãe e o meu pai também concordaram que me ficava muito bem, e lá tive que enfrentar o nono ano com aquele cabelo. Como recompensa, ganhei, em simultâneo, duas alcunhas maravilhosas – “cabeça de microfone” e “susto”. Aqueles adultos que viviam lá pela minha casa nunca perceberam que não se faz uma coisa destas a uma adolescente e, ainda hoje, asseguram que me ficava muito bem. E eu não fiz o que qualquer rapariga saudável de catorze anos que estivesse no meu lugar deveria ter feito – cortar o cabelo à máquina zero sem pedir autorização a ninguém. Em vez disso, aguentei a humilhação silenciosamente até o meu cabelo crescer o suficiente para poder cortar aqueles horríveis caracóis e, no entretanto, evitei (com grande sucesso) que me tirassem fotografias.

Cristina: Não é pior que isto, pois não? Beijinhos solidários.

Posted by Encantada at 05:20 PM | Comentários: (7)

setembro 06, 2004

Carta ao meu filho num dia em que não consigo dizer nada sobre assuntos que merecem que se grite

Tiago:

Algumas vezes, dei por mim a pensar no que é que me poderia desiludir num filho. Já pensava estas coisas muitos anos antes de tu nasceres, porque sempre tive a ideia de que um dia havia de ser mãe. Calma, não fiques já para aí a pensar que te tinha todo planeado na minha cabeça, assim como quem tem uma lista de requisitos para filhos precedidos por uns quadradinhos destinados a encher de cruzes, porque é mentira! Nunca imaginei grandes coisas acerca de como ias ser, só sabia que ias ser bonito e inteligente, porque achava que sendo meu filho e de alguém que eu escolhesse para teu pai não poderias ser de outra maneira.
Era (e ainda é!) precisamente pela razão contrária que me punha à procura de razões para ficar desiludida, por reparar que a maior parte das pessoas era mais exigente do que eu naquilo que esperava dos filhos. Ouço cada história, de pais que ficam um ano sem falar a um filho por ele usar o cabelo comprido, de pais que impedem os filhos de estudar Educação Física, quando eles sempre adoraram desporto, porque isso não é curso, obrigando-os a viver toda a vida a ensinar outra coisa de que não gostam, de pais que metem na cabeça que o filho há-de ser médico porque era o curso que gostavam de ter tirado e os seus pais não deixaram... Depois há aquelas vezes em que digo que gostas muito de dançar e há algum macho latino que observa que isso não é muito conveniente e que precisas de começar a dar uns chutos na bola... Por acaso até também gostas muito de jogar à bola, mas por que raio não hás-de poder gostar de dançar?
É nestas alturas que percebo que aquilo que eu mais quero é que sejas feliz, e que o meu papel é transmitir-te alguns valores e a confiança suficiente para seres capaz de dizer que não quando um comportamento te parecer errado ou perigoso. As tuas escolhas terão que ser cada vez mais, à medida que fores crescendo, tuas.
Voltando ao início da conversa, quando me punha a pensar sobre aquilo que me iria desiludir num filho, primeiro considerava os desgostos ma(pa)ternos mais divulgados e pensava que alguns não tinham nada de importante, outros cabiam no saco das coisas que causam apreensão, preocupação, alguns dos quais passarão ao largo se souberes dizer os teus “não” no momento certo, e acabava a pensar que teria um enorme desgosto se um dia chegasses a casa a dizer que eras skinhead, neo-nazi ou algo do género (poderia acrescentar aqui outras manifestações de fundamentalismo, maldade e intolerância, individuais ou colectivas, algumas das quais infelizmente muito faladas nos dias de hoje). Mesmo que se tratasse de uma crise passageira de rebeldia adolescente (toda a gente sabe que há uma idade em que os filhos gostam de contrariar, desafiar ou até chocar os pais), iria ficar muito triste por te ver defender o que sempre abominei.
Olha, não ligues muito ao que estou para aqui a dizer, estas coisas não passam de meras hipóteses académicas de uma mãe a quem o mundo obriga a pensar sobre coisas acerca das quais, na verdade, nunca teve dúvidas. Da mesma forma que sabia que um dia seria mãe e que serias bonito e inteligente, também tenho a certeza absoluta de que tudo irá correr bem contigo e que vais ser um adulto fantástico e feliz.
Amo-te muito pequenino lindo,

Mãe

Posted by Encantada at 04:00 PM | Comentários: (12)

setembro 01, 2004

Recomeço

Hoje foi dia de regresso ao infantário.
É ao mesmo tempo um dia de um certo alívio, porque finalmente vamos poder voltar a ter vida própria, e de muita pena e preocupação, porque sabemos que, depois de umas férias cheias de mimos, atenções e caprichos excessivamente tolerados, a adaptação vai ser dolorosa...
Mal reconheceu a porta, pediu para vir para casa e só largou o colo com muito choro.

Posted by Encantada at 03:43 PM | Comentários: (7)

Saltos altos

Porque é que as crianças têm um fascínio tão grande pelos nossos sapatos?

Posted by Encantada at 11:41 AM | Comentários: (5)